O Simpósio Internacional da Rede Latino-Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade (LAVITS) retorna ao Rio de Janeiro em 2026 em um momento de disputas profundas sobre o sentido do presente, seus modos de existência e suas infraestruturas sociotécnicas. Sob o tema "Tramar o presente: tecnopolíticas dissidentes e ecologias do Comum", convoca pesquisadoras/es, ativistas, artistas, coletivos, estudantes e comunidades para refletir e agir sobre o modo como as tecnologias, inscritas em regimes epistêmicos, econômicos, securitários, territoriais e subjetivos, configuram e reconfiguram nossas formas de viver, e sobre as dissidências que tensionam, desviam ou reimaginam tais regimes.
Inspirado no percurso histórico da LAVITS e em seu caráter aberto, interdisciplinar e situado na América Latina, em diálogo com abordagens críticas do Sul Global, o Simpósio deste ano recoloca em debate, desde uma perspectiva ecológica, tanto as tecnopolíticas hegemônicas quanto as práticas dissidentes e coletivas que desafiam modelos de controle, modulação algorítmica e colonialidade digital. Em um cenário marcado pela aceleração tecnológica, pela militarização dos territórios, pela crise climática e pela expansão de regimes preditivos, perguntamos: como tramar o presente sem sucumbir às lógicas de captura, esvaziamento e despossessão? Quais ecologias do Comum emergem como experimentações, dissidência e reinvenção? O que se rompe, o que se retoma e o que advém?
Tramar, na língua portuguesa, tem diferentes sentidos que nos interessa mobilizar. Primeiro, o sentido de contar histórias. Inventar outras tramas para a nossa história com as tecnologias é uma tarefa vital para escaparmos dos discursos heróico-triunfantes que, entretanto, nos dirigem ao colapso social, ecológico e político. Tarefa que se faz junto e que ressoa o segundo sentido de trama como tessitura e arte de conectar, entrelaçar e tecer redes, coletivos, arranjos e formas que só se sustentam em relação e em conjunto. Confabular e maquinar juntos planos insubordinados, insurgentes ou clandestinos é o terceiro sentido que essa trama comporta e que urge ativar frente aos aparatos tecnocapitalísticos cada vez mais sufocantes.
O Simpósio convida, ainda, a tramar o presente como gesto tecnopolítico urgente. No contexto tecnológico digital, marcado por valores neoliberais, vivemos um regime temporal acelerado, que apaga progressivamente as fronteiras entre o passado, o presente e o futuro. Os horizontes de futuro são sempre de curto prazo ou de catástrofe. Muitos dos imaginários tecnológicos que proliferam nesse contexto trazem perspectivas tecnosolucionistas ou tecnopessimistas. O convite para tramar o presente convoca a pensar as relações humano-máquina-natureza fora de dicotomias fatalistas, buscando imaginar novas tessituras para essas relações.
Retomar o Comum, um termo tantas vezes capturado e esvaziado, exige reconhecer suas camadas políticas, ecológicas, sociotécnicas, sensíveis e dissidentes. Não buscamos uma definição única, mas um campo aberto de práticas que reaprendem a tramar o presente a partir da colaboração, da insurgência, das tensões criadoras e das alianças improváveis.
O Simpósio convoca trabalhos que investiguem as tensões, antagonismos e potências que atravessam as tecnopolíticas contemporâneas, da escala dos corpos à dos territórios; das subjetividades à governança de plataformas; dos conflitos ambientais às cosmotécnicas; dos hackeamentos cotidianos às imaginações sociotécnicas que apontam para futuros mais justos, plurais e habitáveis.
As inscrições são gratuitas e ficam abertas até o dia 12 de maio.
Para mais informações, acesse a página do Simpósio