Apresentação
A Linha 2 propõe um estudo acerca dos usos e práticas decorrentes da pesquisa científica que se expressam em sistemas de saúde. Espera-se discutir a organização dos sistemas de saúde em suas múltiplas dimensões, sejam suas portas de entrada, desde Alma Ata concebidas a partir de Programas de Saúde da Família, sejam os equipamentos dedicados ao atendimento de média e alta complexidade, sejam os programas de prevenção e educação que definem territórios de atuação a partir de pesquisas científico/epidemiológicas que possam indicar as prioridades para lugares distintos, sejam os processos de informatização que permitem aos pacientes uma movimentação segura e rápida dentro do sistema de saúde e, ainda, processos de concepção e aplicação de novos fármacos, destacando-se processos de vacinação, dadas as urgência da conjuntura vivida pela humanidade em função da pandemia/sindemia de COVID-19.
Serão destacadas pesquisas que incidiram sobre instituições de atendimento à saúde, nomeadamente aquelas desenvolvidas em laboratórios ou academias, mas para tanto é preciso acompanhar as reflexões de Benjamin e buscar reconstituir memórias não apenas de pesquisadores, mas de profissionais de saúde envolvidos nos equipamentos estudados e, se possível, de pacientes. Estudos sobre a Fundação Rockefeller, instituição que exerceu relevante papel na formação dos currículos e dos pesquisadores das escolas médicas do estado de São Paulo; sobre as misericórdias, instituições fundantes de sistemas de assistência à saúde no mundo luso-brasileiro; sobre a relação entre a escravidão e as Irmandades de negros que ofereciam alívio às doenças; e sobre os sistemas de saúde na Espanha, Inglaterra, Portugal, África subsaariana e Estados Unidos fazem parte do conjunto de pesquisas que se pretende articular.
Projeto raízes do SUS, em Campinas
Coordenado pela Professora Ana Nemi e financiado pela Fapesp (Processo2022/00027-5), desenvolveu-se a partir de uma parceria entre o Grupo de Pesquisa em História e Historiografia da Saúde Pública (GESP), o Grupo de Pesquisa Science in Circulation (SciCi), ambos da Unifesp, e o Núcleo de Estudos em Políticas Públicas da Unicamp.
Durante três anos de trabalhos foi possível mapear um conjunto de ações em saúde no município de Campinas e redondezas a partir da medicina comunitária, com a intenção de organizar um sistema de saúde integral, público, e universal nos anos de 1970 e 1980.
Tais ações se constituíram na raízes do Sistema Único de Saúde (SUS) na região, mas também estavam alinhavadas a outros debates que envolviam a crise da medicina previdenciária e da Ditadura militar, as práticas filantrópicas e caritativas que se baseavam, e ainda baseiam, em isenções fiscais e o crescimento de movimentos sociais organizados em defesa dos direitos humanos. Entre esses, o direito à saúde, que vinha articulado ao debate sobre os determinantes sociais em saúde e às iniquidades e desigualdades sociais que marcam a experiência brasileira.
As pesquisas desenvolvidas, com apoio de bolsistas TT3 e TT4 financiados pela Fapesp e de personagens dessa história, como Carmen Lavras, Domênico Feliciello, Fátima Filomena Mafra Christóforo e Marcus Vinícius Pasini Ozores, foram reunidas no site que convidamos os cidadãos interessados nessa história a visitar.
Selecionamos documentos, textos, fotografias e entrevistas e organizamos em Linhas do tempo a partir da documentação perscrutada. Esperamos que os resultados reafirmem o lugar do SUS na construção de uma sociedade mais justa e democrática.
Acesse o site aqui.
Difusão Científica
Linha 2
Eventos
Linha 2
Convidamos a comunidade acadêmica a apresentar trabalhos para o Painel intitulado "A resposta às enfermidades raras e estigmatizadas: entre a filantropia e o associativismo dos pacientes. Perspectiva comparada: Brasil, Espanha e Portugal (século XX)" no âmbito do V Congresso da ABRE, na Universidade de Salamanca.
Para mais informações acesse aqui